Quem acompanha o mundo das Cafe Racers sabe que cada mota tem uma alma, mas, mais importante do que isso, cada projeto esconde uma história de suor, noites mal dormidas e decisões difíceis. Hoje, vamos abrir o livro e revelar os bastidores da incrível transformação da Honda CX 650, carinhosamente apelidada de "Frankenstein" pelo canal Racer TV.
Se alguma vez te perguntaste como é que se chega àquelas linhas perfeitas, de onde vêm as peças e o que realmente corre mal durante um projeto destes, prepara-te. A história é fascinante.
A Escolha: Porque não uma Ducati ou uma Moto Guzzi?
No início, os olhos estavam postos em lendas europeias. Uma Ducati Monster 600 ou uma Moto Guzzi Nevada 750 estavam no topo da lista. O objetivo? Um motor V-twin a um preço simpático. A Honda CX 500 apareceu como o candidato perfeito, mas apenas porque parecia ser o projeto mais difícil de todos — o verdadeiro derradeiro desafio para testar capacidades de design no Photoshop.
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Mas foi o Leonel, o "mestre mecânico" por trás da construção, que mudou o rumo da história com uma dica de ouro: a CX 650 seria uma base muito melhor. E ele não podia ter mais razão. Aceleração, resposta do motor e aquele temperamento muito mais nervoso e agressivo que a 500 não consegue entregar. O som? Absolutamente viciante.
Encontrar a "Cobaia" e a Promessa de Honra
Encontrar uma CX 650 não é propriamente como ir ao supermercado. Quando uma versão Custom apareceu à venda online, as dúvidas instalaram-se. O quadro não parecia de todo amigável para uma conversão Cafe Racer — e foi exatamente por isso que o antigo dono, o Fábio, decidiu vendê-la.
Mas com a magia do Photoshop e a confiança cega nas mãos do Leonel, o negócio fechou-se com uma promessa: assim que a mota estivesse pronta, o Fábio seria um dos primeiros a dar uma volta nela. (Fábio, se estás a ler isto, a tua hora chegou!).
O Efeito Frankenstein
Construir esta mota foi como montar um puzzle onde metade das peças pertencem a caixas diferentes. É aqui que o nome "Frankenstein" faz todo o sentido. Foram dezenas de horas perdidas a navegar na internet, a caçar peças usadas de motas "mortas", a encomendar componentes novos e algumas réplicas.
A verdade que ninguém conta sobre estes projetos é o tempo investido no design. É muito provável que se tenha passado mais tempo a olhar para ecrãs de computador e a desenhar no Photoshop do que na própria oficina a cortar e a soldar metal.
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A Ilusão da Dificuldade e a Luta pelo Banco Perfeito
Qualquer construtor vai confirmar-te isto: o que achas que vai ser fácil, torna-se num pesadelo; e o que te tira o sono, acaba por se resolver em cinco minutos. O quadro, que à partida parecia o "bicho-papão" do projeto, ganhou a postura certa apenas com um pequeno corte na traseira. Já o formato do depósito e a cowl traseira deram dores de cabeça intermináveis.
Mesmo depois da mota estar "terminada" e de parecer linda de quase todos os ângulos, algo não batia certo na perspetiva lateral. O perfecionismo falou mais alto. O problema? A altura e a linha do banco. Sem o volume e a inclinação correta, a harmonia com o depósito não funcionava. A correção foi feita, a esponja ganhou um novo molde e o resultado... bem, o resultado é a perfeição sobre duas rodas.
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O Próximo Capítulo...
Achavam que a história ficava por aqui? Quem respira gasolina nunca consegue estar quieto. Nos confins da oficina já mora uma aparente "pilha de sucata" que esconde um dos motores de dois cilindros verticais mais lendários de sempre. Falamos da mítica Yamaha XS 650, muitas vezes apelidada de "a Triumph japonesa que a própria Triumph deveria ter construído".
Com um som agressivo que nos remete diretamente para a era de ouro das motas britânicas dos anos 60, este será o próximo projeto a ganhar vida. Se a Frankenstein foi o que foi, mal podemos esperar para ver o que aí vem.
Gostaste desta história de bastidores? Se queres ver a Frankenstein em ação e ouvir aquele motor V-twin a gritar, dá uma vista de olhos no vídeo original da Racer TV aqui: A História Completa no YouTube

