10 segundos. Foi este o espaço de tempo exato que foi preciso para decidir que esta moto tinha de ter um vídeo dedicado.
Para alguns, 10 segundos pode parecer muito. Mas deixa-me contextualizar. Quem me conhece sabe que não sou o maior fã de motores de quatro cilindros. Também não morro de amores por cores berrantes, nem por detalhes estéticos que fujam da subtileza. E no entanto, aqui estamos nós. Mesmo com todos estes fatores contra, é simplesmente impossível ignorar esta máquina fantástica. E tu, muito menos vais conseguir fazê-lo — especialmente depois de ouvires a "voz poderosa" que ela emana.
Se estás a ler isto ou a ver as imagens sem um bom par de auscultadores, para tudo. Estás a perder metade da experiência. A qualidade do som deste motor está num nível capaz de fazer os pelos do corpo arranharem a roupa.

Sangue Português nas Veias
Esta obra de arte é o mais recente trabalho do Leonel Ribeiro, o mestre por trás da "Oficina das Motas", aqui em Portugal. É um projeto que acompanho de perto desde o primeiro dia, até porque nasceu na mesma altura em que o Leonel estava a construir a minha conhecida "Frankenstein".
A base escolhida foi uma Honda CB Seven Fifty de 1999. Verdade seja dita: encontrar projetos baseados neste modelo é canja; estão por todo o lado. Mas encontrar um com esta personalidade e nível de execução? Isso sim, é uma autêntica raridade. E foi esse fator de exclusividade que me convenceu a trazê-la a público.
O mais engraçado de acompanhar o processo foi ver a dinâmica com o dono da moto. Durante a construção, fartei-me de dar sugestões sobre modificações que podiam funcionar bem. Adivinha? Ele ignorou-as a todas. E quer saber o pior? Surpreendentemente, tudo ficou perfeito.
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Proporções Proibidas e Peças de Outros Mundos
O elemento que salta logo à vista é o depósito de combustível. Pertencia a uma velha Honda CB 750 dos anos 70. Esta é uma escolha ousada e muito rara para a Seven Fifty, porque este depósito é substancialmente mais curto do que o original de fábrica. À partida, pareceria pequeno demais para uma moto tão imponente, mas a verdade é que as proporções finais resultaram num equilíbrio visual incrível.
Para que este depósito encaixasse no quadro moderno, o Leonel teve de fazer pura magia: construiu um fundo completamente novo do zero e soldou-o à face exterior.
A traseira também foi um autêntico parto. Inicialmente, chegámos a testar um assento mais comprido de outra moto, uma combinação que pessoalmente me agradava. Mas o proprietário queria algo muito mais radical. O pedido foi direto: "Leonel, corta ainda mais a traseira".
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Aí entrou um dos detalhes mais bonitos da moto: o farol traseiro. Antes que comecem a inundar a caixa de comentários com perguntas, eu revelo: é o farolim de uma Benelli Leoncino. O Leonel teve de o embutir cirurgicamente dentro da própria estrutura do quadro traseiro. Mais tarde, o dono mudou de ideias (clássico!) e quis a traseira ainda mais curta e com uma rabeta sólida. O resultado? O Leonel teve de reconstruir essa secção toda outra vez. Coisas de construtor!
O "Efeito Mad Max" e o Penteado do Bart Simpson
Se fores à frente da moto, vais encontrar um farol dianteiro fantástico, mas que trouxe um quebra-cabeças. Ao instalar o velocímetro digital da Motogadget, ficou um espaço vazio enorme e inestético entre o painel e o farol. Era preciso algo para tapar aquele buraco.
A solução do Leonel foi criar uma viseira metálica perfurada. Já ouvi de tudo sobre esta peça: uns dizem que faz lembrar o penteado do Bart Simpson, outros dizem que parece um pente de cabelo de senhora ou até um dissipador de calor de eletrónica. Para mim? Tem um forte sabor a Mad Max. Parece perigoso, bruto e agressivo. É, sem dúvida, o ponto que mais polémica e atenção gera onde quer que a moto pare.
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Mas afinal, o que a torna tão imponente?
Olhas para ela e sentes que há ali músculo, mas não consegues perceber logo porquê. As jantes parecem as de fábrica, mas não são: vieram diretamente de uma Honda CBR 900, assim como todo o sistema de travões e a suspensão dianteira invertida.
Como as novas bainhas da CBR 900 são mais curtas do que as originais da Seven Fifty, havia o risco de o motor ficar perigosamente perto do chão. Para resolver isto, o Leonel construiu uma mesa superior de suspensão personalizada. E aqui ficas de queixo caído: ele fez esta peça à mão, sem usar qualquer máquina fresadora CNC. Se não tivesse visto com os meus próprios olhos, não acreditava.
Para fechar com chave de ouro, a eletrónica foi modernizada com o sistema M-lock da Motogadget. Esquece as chaves: esta moto liga-se com o smartphone.
O Veredicto
Como disse logo no início, esta máquina não segue a cartilha dos meus projetos de eleição. Mas é, sem margem para dúvidas, um trabalho tão soberbo que me faria travar a fundo na rua só para ficar a admirar cada centímetro da sua construção.
O resultado final é uma moto completamente diferente de tudo o que vês na estrada: poderosa, compacta, agressiva e incrivelmente ousada.
E tu, o que achas desta personalização radical da Seven Fifty? Usarias a viseira estilo "Mad Max" na tua moto? Deixa a tua opinião nos comentários e não te esqueças de partilhar o artigo com aquele teu amigo que diz que não gosta de motores de 4 cilindros — este ronco vai mudá-lo de ideias!

